A obra A vida cheia de graça do cantador de viola apresenta-se não apenas como uma antologia, mas como um registro «apologético e poético» da alma nordestina.

Escrito a três mãos por Ésio Rafael, Joselito Nunes e Marcos Passos, o livro tece uma colcha de retalhos geográfico-cultural que une o Moxotó pernambucano, o Cariri paraibano e o Pajeú, berço de cantadores.

O título da obra é, por si só, uma chave de leitura fundamental. A palavra «graça» é explorada em sua totalidade semântica: refere-se tanto ao humor ferino e à sagacidade cômica dos repentistas quanto ao dom carismático, quase divino, da arte do improviso.

Como bem nota o editor na introdução, a obra nasce da «socialização das conversas», simulando a dinâmica de um «mourão de três» (estilo de cantoria), onde a prosa de bar evolui para o registro histórico.

Validando a importância do compêndio, Maciel Melo, descreve um sertão paradoxal: «seco de chuva, mas encharcado de poesia», elevando os cantadores ao status de maior patrimônio nordestino. E aprofunda a definição identitária, no dizer de François Silvestre, afirmando que o verdadeiro cantador carrega «o cheiro da terra e a marca do sangue dos seus mortos», uma descrição que evoca a ancestralidade da cantoria, iniciada no Brasil ainda no século XVI, na Serra do Teixeira.

O conteúdo mergulha nas memórias dos festivais e homenageia figuras tutelares como Lourival Batista, o rei do trocadilho, Pinto do Monteiro, o grande poeta do Cariri, Mocinha de Passira, Louro Branco, Ivanildo Vila Nova, impulsor de um novo sentido à vida do cantador, Geraldo Amancio, João Furiba com seu anedotário estrafalário…

Poeta Flávio Magalhães, poeta e vereadora Cida Pedrosa e JP da equipe de comunicação do gabinete de Cida
Contudo, é na exemplificação da «graça» (humor) que o livro aproxima o leitor da realidade da cantoria.

Em suma, A vida cheia de graça do cantador de viola é um documento essencial para a compreensão da oralidade nordestina. Mais do que versos, os autores Ésio, Joselito e Marcos entregam ao leitor a «aridez aguda» e a beleza resistente de um povo que fez da viola sua arma e sua voz.

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POESIA DE RESISTÊNCIA POPULAR

O primeiro número de 7 de agosto de 2005 (Design de Romina Paesani)
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Héctor Pellizzi
HOMENAGEM A:

Bione

A Banda do Moxotó

Waldemar Cordeiro, el poeta de Siboney

Esman Dias o poeta erudito
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Jonas Bandeira de Meloes pernambucano, de la ciudad de Paulista, en el noreste brasileño. Maestro de historia jubilado desde 2014, también es poeta, compositor y escritor.

Flavio Magalhães es pernambucano de Sertânia en el noroeste brasileño. Bachiller en letras, graduado en lengua inglesa y maestro de educación, “Pedazos de Vida” es su cuarto libro literario

Josessandro Andrade Poliartista, poeta, compositor, cordelista, teatrólogo y guionista de documentales, venció el premio nacional Viva la Literatura de los ministerios de Cultura y Educación en 2009.

Carlos Alberto Rodrigues- Empresario –

Eduardo Martins – Poeta e ensaísta, professor de literatura da UFRO – Universidade Federal de Rondônia. Mestre em Teoria da Literatura pela UNESP – Universidade Estadual de São Paulo.

Edgardo Anibal Cava – Empresario –

Dalva – Mamá de Raví –

La Voz de los Barrios – 2014 – Espaço Pasargada

















































































