Flávio Magalhães: O Arquiteto da Selva de Pedra

Cultura

A obra de Flávio Magalhães não é apenas um livro; é um desembarque brusco na estação da realidade, onde o «trem que passou pelo arco-íris» não carrega potes de ouro, mas a urgência faminta de quem busca liberdade em solo árido. Em «A Dança dos Macacos» (FASA, 2025), o poeta pernambucano não pede licença; ele abre as veias da cidade e deixa o verso escorrer entre o asfalto e o esgoto.

O Arquiteto da Selva de Pedra

Magalhães observa o mundo com a lente de quem já quebrou todos os espelhos. Seus versos são «espelhos reversos»: não refletem a vaidade, mas o que está escondido atrás dela — a idiotia, o mau-caratismo e essa miopia social que nos impede de enxergar o próximo.

A «Dança dos Macacos» proposta pelo autor é uma ironia fina e ácida. Não é o bailado lúdico da natureza, mas o movimento frenético de quem precisa «quebrar o galho» para sobreviver à estupidez humana. Ele reduz a complexidade vibrante do mundo a uma cinza crítica, mas o faz com tamanha maestria que essa cinza ganha cores fonéticas — o som da revolta tem melodia, e o ritmo da indignação é um samba de resistência.

O Kong Contemporâneo

Nesta obra, o mito de Kong é transmutado. Ele não cai do Empire State; ele sufoca na névoa da poluição urbana. O poeta nos coloca diante de um cenário distópico e dolorosamente atual:

A respiração é digital y respiramos satélites pelos celulares, o oxigênio é escasso: A selva é de pedra, e a liberdade é uma cela onde muitos passam 40 anos presos, ainda que do lado de fora. O corpo do preconceito é o racismo aqui não é abstrato; ele ganha corpo, rabo e dentes.

«Estamos vivos / único conforto.»

Nessa brevidade, Flávio resume a angústia da existência moderna. Estar vivo é o consolo e, ao mesmo tempo, o desafio de não se deixar esmagar pela engrenagem da «penúria nossa de cada dia».

Retrato de um Poeta Resistente

Flávio Magalhães é um observador cínico, sim, mas com o cinismo de quem se importa demais. Como bem notado por Sidney Nicéias e Gerson Conrad, sua escrita é um convite à reflexão sobre o comportamento humano desajustado. Ele é o «samba de resistência» mencionado por Jossessandro Andrade: uma cadência que nasce da dor, mas que se recusa a parar de batucar.

Ler Flávio é ver o Recife (e o mundo) sem filtros de Instagram. É sentir o cheiro do satélite e o peso da história de quem foi encarcerado pela ignorância alheia. É, acima de tudo, reconhecer que, mesmo entre macacos e máquinas, a poesia ainda é o único trilho possível para o trem que insiste em buscar o arco-íris.

Texto e fotografias: Héctor Pellizzi

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POESIA DE RESISTÊNCIA POPULAR

O primeiro número de 7 de agosto de 2005 (Design de Romina Paesani)

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Héctor Pellizzi

HOMENAGEM A:

 

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A Banda do Moxotó

Waldemar Cordeiro, el poeta de Siboney

Esman Dias o poeta erudito

AMIGOS DE LA VOZ DE LOS BARRIOS

Jonas Bandeira de Meloes pernambucano, de la ciudad de Paulista, en el noreste brasileño. Maestro de historia jubilado desde 2014, también es poeta, compositor y escritor.

Flavio Magalhães es pernambucano de Sertânia en el noroeste brasileño. Bachiller en letras, graduado en lengua inglesa y maestro de educación, “Pedazos de Vida” es su cuarto libro literario

 

Josessandro Andrade Poliartista, poeta, compositor, cordelista, teatrólogo y guionista de documentales, venció el premio nacional Viva la Literatura de los ministerios de Cultura y Educación en 2009.

Carlos Alberto Rodrigues-  Empresario –

Eduardo Martins – Poeta e ensaísta, professor de literatura da UFRO – Universidade Federal de Rondônia. Mestre em Teoria da Literatura pela UNESP – Universidade Estadual de São Paulo.

Edgardo Anibal Cava – Empresario –

Dalva – Mamá de Raví –

La Voz de los Barrios – 2014 – Espaço Pasargada

 

 

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Flávio Magalhães: O Arquiteto da Selva de Pedra
7 de fevereiro às 11h, Bloco dos Amigos do Mercado da Boa Vista.
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