CIDA PEDROSA: POESIA SEMPRE, POESIA
QUINTO CANTO
Do livro Araras Vermelhas

no dia 25 de abril de 1974 dá-se início à revolução
dos cravos que derruba a ditadura zalazrista cinco
dias depois álvaro cunhal líder do partido comunista
português volta do exílio para sua pátria
em 13 de maio no diário de lisboa é publicado o manifesto
do movimento de ação dos homossexuais revolucionários
com reação violenta por parte de militares
do conselho da revolução
ernesto geisel assume a presidência de brasil continua
a campanha pública contra os subversivos e nos bastidores
se compromete a continuar o extermínio dos
comunistas
morre na argentina juan domingo perón e no mesmo
dia a sua mulher isabel perón assume torna-se a primeira mulher
a comanda os destinos daquele país
no brasil o poeta solano trindade se encanta e fernando
santa cruz militante de ação popula AP é preso
pelas forças da repressão no rio do janeiro sua mãe
dona elzita passa a buscar perseverantemente o filho
desaparecido
em minha casa eu flagro um cochicho entre meus pais
falando de um tal miguel arraes que tinha sido o único
governador bom par o povo
chico buarque lança o álbum sinal fechado interpretando
composições de amigos para driblar a ditadura
e assina pela primeira vez uma das faixas do disco com
o pseudônimo julinho de adelaide na canção “acorda,
amor”
CIDA PEDROSA EN CASTELLANO
sintáxis
quiero cubrir tu cuerpo de letras
hasta formar palabras
que mi boca no consigue decir
en la pieza nocturna
a la noche
cuando los niños duermen
un hombre
hace una hoguera en mi oído
y bajito, me silva deseos
negranoche
el oscuro es nuestro
y las bocas gemelas
juegan a esconderse
en las tinieblas de mis pelos
toda acción es peoesía
durante el día
las manos
cargan bolsas de frutas
durante la noche
palpan manzanas y deseos
Traducción Hector Pellizzi
Cida Pedrosa (Maria Aparecida Pedrosa Bezerra) nasceu em 18 de outubro de 1963, em Bodocó, no sertão pernambucano. Poeta, advogada, militante dos direitos humanos e política brasileira, construiu uma trajetória marcada pela literatura, pelo feminismo e pelo compromisso social.
Ainda jovem mudou-se para Recife, onde iniciou sua atuação literária e integrou o Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco (MEIPE). Formou-se em Direito e trabalhou em movimentos sociais, sindicatos rurais e organizações ligadas aos direitos humanos, unindo militância política e produção poética.
Entre suas principais obras estão Restos do Fim (1982), As Filhas de Lilith (2009), Claranã (2015), Estesia (2020) e Araras Vermelhas (2022). Seu livro Solo para Vialejo (2019) alcançou projeção nacional ao vencer o Prêmio Jabuti em 2020 nas categorias Livro de Poesia e Livro do Ano, tornando Cida a primeira escritora pernambucana a conquistar o principal prêmio da literatura brasileira. Com o livro Araras Vermelhas recebeu outros reconhecimentos importantes: foi eleito Melhor Livro de Poesia de 2022 pela APCA e também figurou entre os melhores livros do ano da Folha de S.Paulo.
Cida Pedrosa ganhou em Portugal o Prêmio Literário Guerra Junqueiro – Lusofonia. Ela foi reconhecida na edição de 2023 (com entrega realizada em 2024) e tornou-se a primeira mulher brasileira a receber essa distinção.
Em paralelo à carreira literária, foi secretária da Mulher e secretária de Meio Ambiente do Recife e, em 2020, foi eleita vereadora da cidade. Hoje é pre-candidata a deputda estadual.
Sua poesia aborda frequentemente memória, território, afetos, identidade, questões sociais e a paisagem humana do Nordeste.
















































































