Héctor Pellizzi especial para o jornal Vozes do Mangue

Esse poema é um dos mais representativos de Alberto da Cunha Melo, porque sintetiza sua visão do povo brasileiro, especialmente do Nordeste. Foi publicado no livro Noticiário (1979).

Os versos centrais são:
«Dizem que meu povo
é alegre e pacífico.
Eu digo que meu povo
é uma grande força insultada.
Dizem que meu povo
aprendeu com as argilas
e os bons senhores de engenho
a conhecer seu lugar.
Eu digo que meu povo
deve ser respeitado
como qualquer ânsia desconhecida
da natureza.
Dizem que meu povo
não sabe escovar-se
nem escolher seu destino.
Eu digo que meu povo
é uma pedra inflamada
rolando e crescendo
do interior para o mar.«
Alberto da Cunha Melo nunca escreveu uma poesia panfletária. Sua poesia política é construída por imagens de enorme força simbólica.
Meu povo é uma pedra inflamada
rolando e crescendo
do interior para o mar.»
É uma metáfora da resistência. Essa imagem tornou-se uma das mais marcantes de toda a obra de Alberto da Cunha Melo e é frequentemente citada como exemplo de sua chamada «poesia de resistência».
Constitui uma das imagens mais vigorosas da poesia brasileira contemporânea. A pedra não simboliza apenas a resistência passiva; ela está em movimento. Rola, cresce, acumula energia e transforma a paisagem. O povo aparece como força histórica, cuja potência nasce do interior do país e avança em direção aos centros de poder.
Em sua obra, a poesia resiste ao esquecimento, à violência, à injustiça e à desumanização, transformando a palavra em instrumento de afirmação da dignidade humana.

















































































