a Voz de los Barrios conversou com Edval Nunes Cajá, histórico líder estudantil e militante comunista. Em 12 de maio de 1978, quando cursava Ciências Sociais na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Cajá foi sequestrado pela ditadura militar. Na época, participava ativamente do movimento estudantil e integrava a Comissão de Justiça e Paz, organizada por Dom Hélder Câmara, então arcebispo de Olinda e Recife.

Cajá 1978
Durante a Noite da Solidariedade Cubana, realizada em Recife, Cajá destacou o significado histórico da data e reafirmou o apoio ao povo cubano diante do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
«Hoje, 26 de julho, estamos aqui para celebrar o início da Revolução Cubana, marcado pelo assalto ao Quartel Moncada, em 1953, na cidade de Santiago de Cuba, liderado por Fidel Castro, Raúl Castro e Abel Santamaría. Essa data representa, para Cuba, o Dia da Rebeldia Nacional.
Estamos aqui para prestar nossa solidariedade ao povo cubano, que, neste momento, sofre um dos maiores ataques do capitalismo imperialista dos Estados Unidos. Trata-se de uma tentativa permanente de asfixiar o país e sufocar a Revolução Socialista. Mas a solidariedade dos povos do mundo é muito maior do que o bloqueio.
Os Estados Unidos mantêm um bloqueio criminoso, de caráter econômico, comercial, financeiro e também energético, com o objetivo de isolar Cuba. Nós afirmamos que a solidariedade não pode ser bloqueada.

Cajá 2026
No Brasil, o povo brasileiro tem demonstrado essa solidariedade de forma concreta. Delegações de várias partes do país estão viajando para Cuba para participar das Brigadas de Trabalho Voluntário, em Havana, e de atividades agrícolas, como a colheita de frutas cítricas no interior da ilha. Dessa maneira, demonstramos, na prática, nosso compromisso com o povo cubano.
Seria importante que o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, pudesse ampliar ainda mais essa solidariedade. Cuba enfrenta uma grave crise energética, e uma iniciativa importante seria o envio de um navio com petróleo para ajudar o país a enfrentar os efeitos do bloqueio.
Também é muito significativo ver os artistas participando voluntariamente desta atividade. Hoje contamos com apresentações do grupo Guazapa, que há mais de 30 anos divulga a música caribenha e cubana, além do Som Sem Fronteiras, do DJ Nequim e de outros artistas. Estamos realizando uma grande festa de solidariedade ao povo cubano, unindo cultura, música e compromisso internacionalista.»
Ao encerrar sua participação, Cajá ressaltou que a solidariedade internacional continua sendo, em sua avaliação, uma das principais formas de enfrentar os efeitos do bloqueio econômico imposto a Cuba, defendendo o fortalecimento dos laços entre os povos por meio da cultura, do intercâmbio e da cooperação.

Allan Sales
LA VOZ DE LOS BARRIOS conversou com Clóvis Maia, integrante do Comitê Pernambucano de Solidariedade a Cuba, durante a Noite da Solidariedade Cubana, realizada no Recife. Segundo ele, o encontro teve como principal objetivo informar a população sobre a realidade vivida pelo povo cubano e reforçar os laços históricos e culturais entre Cuba e Pernambuco.

Clovis
“Este é um ato político e cultural que busca sensibilizar a população pernambucana sobre o que está acontecendo em Cuba. Ao mesmo tempo, celebramos a relação de irmandade que Recife e Pernambuco mantêm com o povo cubano ao longo da história e por meio de inúmeros intercâmbios culturais”, afirmou.
Clóvis destacou que, neste mês de agosto, dois representantes do Comitê Pernambucano de Solidariedade a Cuba viajarão à ilha para participar das atividades em homenagem ao centenário de Fidel Castro e das tradicionais Brigadas Internacionais de Solidariedade.
“Aproveitamos esse momento para reunir artistas, poetas, militantes e amigos de Cuba em uma grande ação de solidariedade. Estamos arrecadando medicamentos e também contribuições financeiras, por meio do Pix, para que nossos companheiros possam levar essa ajuda humanitária ao povo cubano”, explicou.

Rosalia Nascimento da Direção Nacional do Movimento Negro Quilombo Raça e Classe e o poeta argentino Héctor Pellizzi
Segundo ele, a iniciativa vai além da arrecadação de donativos. “Queremos ampliar o debate, sensibilizar a sociedade e fortalecer o campo progressista em defesa da solidariedade internacional. O apoio material é importante, mas também é fundamental romper o silêncio e mostrar uma realidade que muitas vezes não aparece na grande mídia.”
O dirigente ressaltou que, durante o evento, foram reunidas duas malas repletas de medicamentos, que serão levadas para Cuba pelos integrantes da delegação pernambucana.
Antes do início da programação cultural, o Comitê promoveu uma carreata pelas ruas do Recife para chamar a atenção da população para a campanha de solidariedade.
“Cerca de vinte carros participaram da mobilização. Saímos da Praça do Derby em direção ao Recife Antigo, levando bandeiras de Cuba, um carro de som com música cubana e distribuindo panfletos. Muitas pessoas demonstraram curiosidade, perguntaram sobre a atividade, aplaudiram e até dançaram ao som da música”, relatou.
Para Clóvis Maia, a receptividade do público demonstra a importância de iniciativas como essa. “É fundamental levar informações à sociedade e mostrar aquilo que a mídia hegemônica, muitas vezes, não mostra sobre Cuba.”

Guazapa
A Noite da Solidariedade Cubana reuniu artistas, músicos, poetas, militantes e apoiadores da causa cubana em uma programação que combinou manifestações culturais, arrecadação de medicamentos e atividades de conscientização sobre os impactos do bloqueio econômico imposto à ilha, reafirmando a tradição de solidariedade internacional cultivada por movimentos sociais e entidades de Pernambuco.
















































































