A Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) digitalizará o acervo cultural de Giuseppe Baccaro.
O marchand, galerista, colecionador, pintor e desenhista italiano, falecido em agosto de 2017, terá sua obra digitalizada pela CEPE. A decisão foi definida em uma reunião com Igor Burgos, diretor administrativo e financeiro da instituição, responsável pela Superintendência de Digitalização, Gestão e Guarda de Documentos, além de atuar como coordenador-adjunto da unidade de controle interno da empresa.

Héctor, Iris, Bartira , Igor e Wictor (Foto: gentileza da Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).
Participaram do encontro Iris, bacharel em administração, técnica em design e especializada em análise da dados e neta do artista Baccaro; Bartina Ferraz, licenciada e bacharel em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ministrante de cursos sobre acervos e documentos históricos; além de Wictor Santana e Héctor Pellizzi, integrantes do Gabinete de Cultura e Direitos Humanos da poeta, escritora e vereadora Cida Pedrosa.

Foto archivo de Bartira Ferraz
Nascido na região de Roccamandolfi, próximo a Nápoles, Baccaro chegou ao Brasil em 1956, aos 26 anos. Em São Paulo, aproximou-se de importantes nomes da arte brasileira que, à época, estavam esquecidos, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Ismael Nery.
A partir de então, passou a organizar galerias, exposições e leilões, consolidando sua atuação no mercado de artes plásticas. Também adquiriu obras desses e de outros artistas, contribuindo para recolocar seus nomes em circulação.

Foto archivo de Bartira Ferraz
Seu acervo reúne peças de grande relevância, incluindo manuscritos originais de Cecília Meirelles, Olavo Bilac e Coelho Neto, além de primeiras edições de autores como Marcel Proust, Victor Hugo, Euclides da Cunha e Mário de Andrade.
Após uma carreira consolidada na capital paulista, Baccaro direcionou sua trajetória para uma missão social. Dono da segunda maior biblioteca privada do Brasil, afirmou estar cansado de vender obras para colecionadores ricos e, na década de 1970, mudou-se para Olinda. Na cidade, fundou a Casa das Crianças, instituição que, ao longo de décadas, beneficiou mais de 20 mil meninos e meninas em situação de vulnerabilidade.

Foto archivo de Bartina Ferraz
O espaço funcionava em uma área de quatro hectares e contava com anfiteatro, escola, ateliês sociais e culturais, além de uma gráfica onde eram impressos diversos tipos de livros, com destaque para a literatura de cordel. Baccaro também foi um importante incentivador e colecionador de fitas de cantorias de poetas sertanejos.
A brilhante decisão da Companhia Editora de Pernambuco foi considerada acertada.
Clóvis Cavalcanti destacou, em uma resenha histórica, que “Giuseppe Baccaro foi um humanista passional…”
Héctor Pellizzi















































































