greve de fome contra ditadura militar completa 54 anos

DDHH, Política

Maior greve de fome de presos políticos contra ditadura militar completa 54 anos

Detalhe dos mantimentos que eram levados pelas famílias, colocados para o lado de fora das celas

Cajá

Esta nota foi enviada gentilmente à redação de LA VOZ DE LOS BARRIOS por Edval Nunes Cajá, sequestrado por agentes da ditadura, sendo submetido a torturas durante três dias e mantido em cárcere privado por 12 meses. Foi o último preso político libertado durante a ditadura militar

Da redação

A maior greve de fome de presos políticos contra a ditadura militar completa 54 anos nesta terça-feira, 12.

Leia a seguir a entrevista com o publicitário e ex-preso político, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, que participou do protesto.

A entrevista marcou os 50 anos da greve, em 2022, e foi publicada em Holofote, no qual Manoel Cyrillo é artículista.

___

Por Lúcia Rodrigues

Há 50 anos era iniciada a maior greve de fome da história do país. Atrás das grades, mais de 60 presos e presas políticos enfrentaram a ditadura militar durante 38 dias se recusando a tomar, inclusive, água.

O protesto era para reivindicar que todos os prisioneiros políticos pudessem ficar detidos em uma única prisão.

O articulista de Holofote, o publicitário Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, é um dos ex-presos políticos que participou da greve de fome há 50 anos.

Guerrilheiro da ALN (Ação Libertadora Nacional), ficou preso por quase 10 anos, faltaram nove dias para completar uma década, por ter sido processado em quatro ações da guerrilha, entre elas o sequestro do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.

Ele recorda a greve de fome de 1972, como um ato de resistência. “Foi uma greve de fome total. Não bebíamos nem água. Nos debilitamos muito, muito, muito. Emagrecemos fantasticamente.”

Mesmo fragilizados, se negavam a tomar até o soro quando eram levados para o hospital da Penitenciária do Estado, na capital paulista.

“Nós éramos amarrados todas as vezes que nos davam soro. Resistíamos, porque o soro é alimento e nós estávamos em greve de fome.”

A greve só terminou quando o núncio apostólico, representante do Vaticano, acompanhado por D. Paulo Evaristo, pediu aos presos que interrompessem o protesto, para que ele pudesse negociar com representantes da repressão.

“Ele nos visitou no hospital da Penitenciária do Estado e pediu para que suspendêssemos a greve. Mesmo sabendo que não ia dar em nada a conversa com a ditadura, usamos isso como pretexto para parar a greve e escrevemos um manifesto.”

A decisão chegou com um dia de atraso ao presídio de Presidente Venceslau, no interior do Estado, onde alguns presos políticos estavam detidos, e que acabaram ficando um dia a mais em protesto, totalizando 39 dias de greve.

“Greve de fome é o extremo”, enfatiza Manoel Cyrillo ao relembrar a greve de fome dos ativistas do IRA, o Exército Republicano Irlandês, que tirou a vida de 10 líderes norte-irlandeses, entre eles Bobby Sands.

Mas a resistência atrás das grades se dá muitas vezes em atitudes singelas. Os presos conseguiam atingir os repressores até mesmo com pedaços de papel colados à parede.

“Anos depois, grande parte dos presos políticos estava na Casa de Detenção, e um belo dia aparece o coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança de São Paulo, um puta de um nazista, agressivo, um facínora, e fica possesso ao ver que cada uma de nossas celas homenageava um companheiro morto. Em cada uma tinha o nome e a ilustração, com o retrato do companheiro. Ele começou a gritar e nos xingar de fdp. Como resposta, começamos a cantar a Internacional. Mas ele impôs como punição, a nossa transferência para a Penitenciária do Estado.”

A vida de Manoel Cyrilo foi um périplo por presídios e centros de tortura desde o momento de sua prisão, em 30 de setembro de 1969, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.

Foi capturado com a família de Virgílio Gomes da Silva, o comandante do sequestro de Elbrick, quando aguardavam pela documentação para deixar o país. “Eu ia fazer treinamento fora”, relembra.

Dali foi levado para a Oban (Operação Bandeirante), centro de tortura predecessor do DOI-Codi, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo.

No entanto, sua prisão só foi oficializada ao ser transferido para o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), no centro da capital paulista, no dia 16 de outubro, pois a Oban era um aparato clandestino da repressão.

Deixou o Dops pouco antes da morte de Marighella e da queda dos frades dominicanos, e seguiu para o Presídio Tiradentes, também no centro da capital.

Posteriormente passaria pela Penitenciária do Estado e Casa de Detenção, no Carandiru, ambos na zona norte de São Paulo.

Na Penitenciária, ficou nove meses isolado antes de voltar para o Presídio Tiradentes.

“Quando todo mundo foi transferido deixaram a mim, ao Chiquinho, Francisco Gomes da Silva, e ao Celso Horta, isolados em pavilhões diferentes. Fiquei nove meses sozinho. Uma loucura.”

Ele conta que na Penitenciária todos os presos eram obrigados a trabalhar. “Trabalhei como escriturário da vassouraria.”

Aproveitou também para fazer um curso de torneiro mecânico do Senai. “Minha ideia era aprender a fazer armamento. Eu queria fazer metrancas no futuro”, afirma rindo.

Nas duas passagens pela Casa de Detenção foi colocado em pavilhões onde eram postos os presos mais perigosos.

“Fiquei no pavilhão 8, que era a ala dos reincidentes e depois fui para o pavilhão 5, que era o que ficava cercado pelos outros pavilhões.”

Manoel Cyrillo ainda passaria pelo DOI-Codi do Rio de Janeiro, na rua Barão de Mesquita, na Tijuca, onde ficou preso vários meses aguardando as audiências do julgamento pelo sequestro do embaixador.

Ele ressalta que a política repressora da ditadura militar também avançou sobre a população. “Meu número na Penitenciária, em 1972, era 25.166 .”

Em meados dos anos 1990, quando ele solicitou, ao então secretário da Justiça Belisário dos Santos Júnior, o acesso a ficha prisional, constatou que o número de presidiários na Penitenciária havia saltado para mais de 174 mil.  “É a política de criminalização dos pobres”, enfatiza.

AMIGOS DE LA VOZ DE LOS BARRIOS EN BRASIL
Você pode colaborar com LA VOZ DE LOS BARRIOS enviando qualquer valor ao:
PIX 440 039 864 15

Eduardo Martins

Poeta e ensaísta, professor de literatura da UFRO – Universidade Federal de Rondônia. Mestre em Teoria da Literatura pela UNESP – Universidade Estadual de São Paulo.

Jonas Bandeira de Melo

Pernambucano, de la ciudad de Paulista, en el noreste brasileño. Maestro de historia jubilado desde 2014, también es poeta, compositor y escritor.

Flavio Magalhães

Pernambucano de Sertânia en el noroeste brasileño. Bachiller en letras, graduado en lengua inglesa y maestro de educación, “Pedazos de Vida” es su cuarto libro literario

Josessandro Andrade

Poliartista, poeta, compositor, cordelista, teatrólogo y guionista de documentales, venció el premio nacional Viva la Literatura de los ministerios de Cultura y Educación en 2009.

Carlos Alberto Rodrigues

Empresario

Luis Carlos Dias

Ilustração de Jorge Lopes.

Edgardo Anibal Cava

Empresario

Dalva

Mamá de Raví

Paulo de Carvalho

Poeta – Actor- Asistente de dierección cinematográfico

Vanuza Silva

Poeta, Pedagoga, Advogada e Licenciada em Psicologia

AMIGOS DE LA VOZ DE LOS BARRIOS DE AMÉRICA LATINA
Usted pode colaborar con LA VOZ DE LOS BARRIOS enviando cualquier valor al:
ALIAS: titojunin

Luis Alberto Rubial

Coaching Organizacional, co Director del Instituto Superior Empresarials

Nico Scarli

Estilista

Edú

De la parrilla Matheu, en el barrio de la Boca Argentina

Gustavo Pirich

Combatiente de Malvinas

Armando Tisera

Presidente del club Bohemios del barrio de La Boca

Club Bohemios de La Boca

Ricardo Solé y Natalia Noguera

Militantes sociales en Barracas, Buenos aires- Ricardo fue combatiente en Malvinas y Natalia lidera la Asc. Mujeres de mi Pueblo

Rosita Elías

Concejala con mandato cumplido

Daniel Cano

Profesor – Dirigente Sindical

Alejandra Bosa

Actriz

Gabriela y Marcelo Reichnshammer

Pastores comprometidos con la acción social

Mauro Héctor Fernández

Poeta

Reinaldo Echevarría

Militante popular

Lito Morano

Escritor – Poeta- Psicólogo

Fabián Samudio

Comerciante -hincha de River Plate

Sandra González y Lautaro González

Compromiso Social

Romina Paesani

Profesoras de teatro – Actrices

Conti Arcos

Actriz

Karina Beltrán

Artista Plástica

José Benjamín Ragone

Ruben Mario Scorsetti

Martllero Público – Dirigente

Raquel Márquez

Militante de la cultura – Conductora radial – Dirigente de la Confederación de jubilados

Juana

Dirigente en la Villa 21/14

Amancai

Actriz

Eduardo Kozanlián

Dirigente y militante de la causa Armenia

Hotel DaDa

Francina Sierra

Dirigente sincal y Concejala.

Oscar Farias

Lonko de la comunidad nahuel Payún – Dirigente político

Horacio Bosa

Martillero público

Andrés La Blunda

Legislador por Buenos Aires (CABA)

Sonia Nuñez

Dirigente del espacio Patricios al Fondo – CABA

Mauricio Benítez

Referente del espacio Patricios al Fondo en CABA

Susana Boguey

Escritora – Dirigente sindical

Carlos Dalprá

Dirigente Sindical (Bancaria)

Rosana Morando

Dirigente política – Presidenta del Concejo Escolar – Junín

Miguel Saita

Fundador de la multipartidaria de jubilados en Junin (B)

Ediciones de Las Tres Lagunas

Eduardo Donatelli

Secretario General Sindicato de Obreros y Empleados Aceiteros de Junín

Juan Speroni

Sindicato Argentino de Obreros Navales – CABA

Andrés Mansilla

Secretario General SATSAID – Junín

Carlos Minucci

Asociación del Personal Superior de las Empresas de Energía Eléctrica – CABA

Gabriel Saudán

Secretario General Sindicato Municipales – Junín

Joaquin Peralta

UOM – Junín

Silvia Velazco

Secretaria General – SUTEBA – Junín

Anibal Torreta

Sindicato Único de Trabajadores del Estado de la Ciudad de Buenos Aires

Héctor Azil

Secretario general ATSA Junín

Abel Bueno

Secretario General de la Bancaria Junín

José García

Secretario General – Unión Ferroviaria Junín

Héctor Amichetti

Federación Gráfica Bonaerense

Seguir Leyendo :
DDHH, Política
Más Leídas
keyboard_arrow_up