Em «Meu nome é Laís – Os tabus que derrubei», a primeira mulher a ocupar os cargos de vereadora e vice-prefeita no município compartilha suas memórias, lutas e o legado deixado na educação e na política local.

A história de Valinhos está intrinsecamente ligada à figura de Laís Helena, uma mulher que dedicou sua vida a quebrar barreiras. Professora, ativista, ex-vereadora e ex-vice-prefeita, ela agora eterniza sua jornada de resiliência e fé nas páginas de sua biografia: “Meu nome é Laís – Os tabus que derrubei”.
A obra, que teve sua noite de autógrafos no dia 08 de junho no Plenarinho da Câmara Municipal, oferece ao público uma visão profunda dos bastidores do poder e das origens de uma das lideranças mais marcantes da cidade.
As Raízes e a Força da Família
Escrito a partir de um rico resgate de memórias, o livro adota uma narrativa afetiva que começa homenageando a sua base: a família. Filha de José e Joanna, e neta de Samuel e Natália — a quem a obra é dedicada —, Laís relembra sua infância na zona rural.
Ela descreve o seio de sua numerosa família de nove irmãos não apenas como um lar, mas como «muralhas a me proteger», fundamentais para forjar a resiliência que a acompanharia por toda a vida.
Ao dar nome e sobrenome à família Antonio dos Santos, a autora também faz uma reparação histórica, inserindo definitivamente na historiografia oficial de Valinhos aqueles que, por muito tempo, foram «esquecidos», mas que ajudaram a construir o município.
Da Sala de Aula ao Pioneirismo Político
Antes de trilhar seu caminho na política partidária, Laís Helena deixou sua marca em gerações de valinhenses como educadora. Foi o contato diário com a comunidade e a percepção aguçada das desigualdades sociais que plantaram a semente da transformação.
Desafiada a levar sua vocação de cuidar das pessoas para a esfera pública, ela alcançou um marco histórico: tornou-se a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Legislativo de Valinhos.
O impacto prático de sua atuação é evidenciado no prefácio do livro, assinado por Gustavo Gumiero. Ele relata como a visão de Laís transformou vidas através de projetos como a criação da Associação Cultural e Educacional de Valinhos (ACEV) — embrião do atual Colégio Inovati — e a idealização do projeto «Vereador-Mirim», essencial para a introdução de jovens ao exercício da cidadania.
Os Bastidores do Poder e o Peso de Ser a «Primeira»
Um dos pontos mais altos da biografia são os relatos inéditos sobre os bastidores da política local. Laís não se esquiva de expor os desafios enfrentados em um ambiente frequentemente hostil e resistente à presença feminina.
Ela nomeia fatos e personalidades, resgatando momentos de intensa articulação e sua sólida produção legislativa.
«Ocupar aquele plenário foi abrir as portas da Câmara para que toda a comunidade se sentisse representada. Cada projeto aprovado, cada discussão acalorada e cada tabu derrubado ali dentro carregavam o peso e a esperança de muitas histórias que vieram antes de mim», revela a autora.
Um Manifesto para o Futuro
Mais do que uma retrospectiva, «Meu nome é Laís» funciona como um verdadeiro manifesto. Ao documentar suas lutas na educação, na cultura e na defesa inegociável dos direitos das mulheres, Laís Helena busca inspirar uma nova geração de lideranças.
A mensagem é clara: não se deve recuar diante de preconceitos estruturais. Sua história prova que, com coragem e propósito, é possível reescrever a própria trajetória e transformar a realidade de toda uma cidade.
















































































