Das Águas
A Leitao Araújo
Quem bebeu da água de Sertânia
Não esquece a terrinha
Dizem-me seus exilados económicos
Recordo-me de seu Zé da Água de Sabiá:
– Olha a água de sabiá! Três mil cruzeiros uma Lata!
Bradava nas ruas do centro.
E nas ruas afastadas
Seu André da rua dos Currais
Vendía agua de Barreiro
Em sua carroça de burro.
Na época da seca
A cidade escancarava
Sua boca grande e sedenta
Para bebê-las todas
Sem distinção.
No tempo das cheias
Os riachos do Boqueirão e do Serecé
Desembocavam nos rios Piutá e Barra
Para compor o mar de Moxotó
Que ia juntar-se a outros mares
No Océano do Rio Sao Francisco.
Em sua juncao das aguas
A cidade se nutria de suas raízes singulares
Para borbulhar plural.
Agora revolvo as águas de mim
Olho em seu espelho
Em busca de reconhecê-la
E da minha identidade.
Faço uma colcha com as maos
E em seus líquidos estilhaços
Bebo o retalho do sonho em farrapos
Que todo dia tento voltar a remendá-lo.
Com barro dos currais
E a pureza da fonte do Sabá

Semblança Literáriado poema «Das Águas» de Josessando Andrade
O poema «Das Águas», de Josessando Andrade, é uma incursão profunda na memória afetiva e na identidade geográfica de Sertânia, no Sertão do Moxotó. Através de uma linguagem que transita entre a crônica cotidiana e a lírica existencial, o autor constrói um mapa sentimental de sua «terrinha», utilizando a água como o elemento condutor da história e da alma de seu povo.
Josessando resgata figuras icônicas como Seu Zé da Água de Sabiá e Seu André da rua dos Currais. Ao mencionar o preço da lata de água e a carroça de burro, ele documenta a realidade da escassez e o esforço humano que moldou a cidade antes da modernidade.
O autor descreve com maestria a dualidade do Sertão. A «boca grande e sedenta» da seca dá lugar ao «mar de Moxotó» no tempo das cheias. Há uma progressão geográfica belíssima que conecta os riachos locais (Boqueirão, Serecé) ao Rio São Francisco, inserindo Sertânia na imensidão do oceano brasileiro.
O poema sugere que a cidade se nutre de suas raízes singulares para se tornar «plural». A água não é apenas um recurso; é o que une os «exilados econômicos» à sua origem.
Na conclusão, a poesia deixa o campo do relato histórico para mergulhar no íntimo. Josessando «revolve as águas de si mesmo», buscando no espelho líquido a sua própria identidade. A imagem final — a de beber o «retalho do sonho em farrapos» e tentar remendá-lo — é uma metáfora poderosa sobre a resiliência do poeta e do sertanejo, que, mesmo diante das adversidades, utiliza o «barro dos currais» e a «pureza da fonte» para reconstruir sua existência.
Josessando Andrade reafirma sua posição como uma voz essencial da região do Moxotó. Como poeta, dramaturgo e comunicador, sua escrita não apenas preserva a tradição oral e os personagens típicos de Sertânia, mas também eleva a experiência regional ao patamar do universal, onde a busca pela água se confunde com a busca pelo próprio ser.
O poema é um testemunho de resistência e um tributo aos que, mesmo longe, mantêm o paladar marcado pela água da terra natal.
Material literário elaborado pela Redação do jornal argentino «La Voz de Los Barrios», fundado em 2005 pelo escritor e jornalista Héctor Pellizzi.

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Waldemar Cordeiro, el poeta de Siboney

Esman Dias o poeta erudito
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Jonas Bandeira de Meloes pernambucano, de la ciudad de Paulista, en el noreste brasileño. Maestro de historia jubilado desde 2014, también es poeta, compositor y escritor.

Flavio Magalhães es pernambucano de Sertânia en el noroeste brasileño. Bachiller en letras, graduado en lengua inglesa y maestro de educación, “Pedazos de Vida” es su cuarto libro literario

Josessandro Andrade Poliartista, poeta, compositor, cordelista, teatrólogo y guionista de documentales, venció el premio nacional Viva la Literatura de los ministerios de Cultura y Educación en 2009.

Carlos Alberto Rodrigues- Empresario –

Eduardo Martins – Poeta e ensaísta, professor de literatura da UFRO – Universidade Federal de Rondônia. Mestre em Teoria da Literatura pela UNESP – Universidade Estadual de São Paulo.

Edgardo Anibal Cava – Empresario –

Dalva – Mamá de Raví –

La Voz de los Barrios – 2014 – Espaço Pasargada



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