um revolucionário da Al-Qaeda governa a Síria

Fuente: Redação Internacional -La voz de los Barrios
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O novo tabuleiro sírio: entre a herança de Baaz e a sombra da Al-Qaeda

A Síria atravessa hoje o capítulo mais incerto de sua história moderna. Após a estrondosa queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, o país passou de um regime secular autoritário de décadas para um governo de transição liderado por uma figura que encarna um dos maiores paradoxos da geopolítica atual: Ahmed al-Sharaa.

O fim da era Baaz

Bashar al-Assad
O colapso do regime de Assad ocorreu em apenas 11 dias, pondo fim a 54 anos de domínio da família Assad e do Partido Baath Árabe Socialista. Fundado sob a premissa do panarabismo — a união dos países árabes em um único Estado —, o Baath governou a Síria com mão de ferro desde o golpe de 1963 e a consolidação de Hafez al-Assad em 1970.

Bashar, que sucedeu seu pai em 2000, não conseguiu sobreviver ao desgaste de 13 anos de guerra civil. Sua queda não marca apenas o fim de uma estrutura militar e de segurança que parecia inabalável, mas também o deslocamento de uma ideologia laica por uma de corte islamista.

Ahmed al-Sharaa: O insurgente que se tornou estadista


O atual homem forte de Damasco, Ahmed al-Sharaa (anteriormente conhecido como Abu Mohammad al-Golani), assumiu como presidente interino em 29 de janeiro de 2025. Aos 43 anos (filho de exilados sírios), sua ascensão representa uma reviravolta radical.

O histórico de Sharaa é, no mínimo, polêmico:

Origens no Iraque: Militou na rede Al-Qaeda após a invasão americana de 2003, o que lhe rendeu ser detido pelos EUA no Campo Bucca entre 2006 e 2011.

Fundador da Al-Nusra: em 2011, fundou o braço oficial da Al-Qaeda na Síria.

A reviravolta de 2016: em uma tentativa de ganhar legitimidade, ele rompeu formalmente com a organização central da Al-Qaeda para liderar o grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS).

Apesar de seus esforços para se apresentar como um líder revolucionário nacionalista, para muitos analistas as raízes ideológicas islamistas persistem.

A paradoxo do terrorismo e da Realpolitik


A situação atual apresenta uma contradição que desafia a lógica da «Guerra ao Terror» iniciada após 11 de setembro de 2001. Enquanto a ONU e os próprios Estados Unidos mantêm a organização Sharaa em suas listas de terrorismo, na prática, ela se tornou o ator-chave para a estabilidade da região.

Osama bin Laden

A história da Al-Qaeda, fundada por Osama bin Laden no final dos anos 80 para combater os soviéticos no Afeganistão, parece ter fechado um círculo irônico. Aquela rede que derrubou as Torres Gêmeas e buscava um califado global, hoje tem um de seus antigos quadros — agora «reformado» — gerenciando o poder em Damasco.

O pragmatismo da era Trump


Sob a administração de Donald Trump, a política externa americana optou por um realismo cru. O apoio tácito ao governo de Sharaa é lido em chave de conveniência estratégica:

Controle geográfico: O domínio de uma zona chave que conecta a Ásia com a Europa.

Recursos naturais: A gestão das riquezas energéticas sírias.

Contenção do Irã: O novo governo serve como um muro contra a influência iraniana que antes protegia Assad.

Para a Casa Branca, parece que o fim justifica os meios. Nessa nova ordem, quem foi o fundador de um ramo da Al-Qaeda é hoje o interlocutor necessário para garantir os interesses ocidentais, demonstrando que, na alta política síria, os inimigos de ontem podem ser os aliados indispensáveis de hoje.

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