Em meio ao avanço dos casos de feminicídio em Pernambuco, a Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara Municipal do Recife realiza, nesta terça-feira (31), uma vigília para cobrar respostas do poder público no enfrentamento à violência contra mulheres.

O ato está marcado para as 18h, na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro, em frente ao movimento Tortura Nunca Mais.
Com o tema “Nosso luto é a luta! Vigília pelo fim dos feminicídios”, a mobilização busca dar visibilidade às vítimas e ampliar a pressão sobre o Governo de Pernambuco e os órgãos de segurança pública por medidas mais efetivas.
A iniciativa é organizada pelas vereadoras Cida Pedrosa (PCdoB), Kari Santos (PT) e Natália de Menudo (PSB), integrantes da comissão, que vêm cobrando maior prioridade para a pauta, tanto no âmbito municipal quanto estadual.
A vigília ocorre em um cenário de aumento dos índices de violência de gênero no estado. Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE) apontam que Pernambuco registrou 18 feminicídios nos dois primeiros meses de 2026, sendo alarmante o número: 10 assassinatos em janeiro e 8 em fevereiro.
No cenário nacional, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número dos últimos anos, com média de quatro homicídios por dia. Em janeiro de 2026, o Judiciário contabilizou 947 novos casos, equivalentes a cerca de 10,5 assassinatos diários, um registro perturbador.
Nos primeiros meses deste ano, há registro de violência intensa contra mulheres, com dezenas de casos letais e não letais. A Região Metropolitana do Recife historicamente concentra grande parte dessas ocorrências. Esse padrão tende a se repetir ano após ano.
Em janeiro de 2026, por exemplo, foram registrados dois feminicídios já na primeira semana, nos municípios de Camaragibe e Vitória de Santo Antão, indicando a continuidade do problema desde os primeiros dias do ano.
No Recife, também há registros significativos de violência não letal contra mulheres, o que evidencia falhas nas políticas de prevenção, carência de estratégias integradas entre o Estado e o Poder Judiciário, além de críticas à atuação de setores do serviço público, marcados por estruturas machistas e misóginas.
Debate público e relativismo cultural
Enquanto os índices de feminicídio seguem elevados no Brasil, o debate público também envolve discursos que buscam justificar ou relativizar a violência de gênero. Segundo análises críticas presentes em setores da sociedade, atores políticos, segmentos das forças de segurança e até parte da produção intelectual associada à extrema direita frequentemente deslocam o foco do problema ao destacar violações contra mulheres em outros países, como o Irã.
Nesse contexto, ganha espaço o conceito da Antropologia conhecido como relativismo cultural, que defende que valores, crenças e práticas devem ser compreendidos dentro do contexto de cada sociedade, sem julgamentos a partir de padrões externos.
O princípio é frequentemente ilustrado por meio da diversidade religiosa no Brasil, como nas práticas do Candomblé, da Umbanda e do cristianismo (católicos e evangélicos), cujas tradições são compreendidas a partir de suas formações históricas e culturais e não devem ser julgadas pelos critérios de outra cultura.
No entanto, o relativismo cultural também gera discussões, pois é utilizado para justificar práticas que violam direitos humanos. Também é alvo de críticas quando empregado para legitimar práticas humilhantes, o que mantém o tema no centro de debates éticos e políticos contemporâneos.
A vigília desta terça-feira se insere, portanto, não apenas como um ato de memória e denúncia, mas também como parte de uma mobilização mais ampla por políticas públicas eficazes no combate à violência contra mulheres em Pernambuco e no Brasil.















































































