A poeta e escritora Cida Pedrosa, atual vereadora do Recife e pré-candidata a deputada estadual, fez um contundente pronunciamento durante a vigília em memória das vítimas de feminicídio. Em sua fala, criticou a permanência de uma estrutura patriarcal que continua sustentando uma política de aniquilamento das mulheres.

«Quando veem que as mulheres constroem sua emancipação política, social, econômica e afetiva, eles não aceitam e resolvem nos aniquilar. O que fazem conosco é uma política de aniquilamento. Pensam: ‘Se este corpo não pode ser meu, ele não será mais de ninguém’, e o aniquilam para negar a existência desse próprio corpo.

Karen, Cida e Glauce, Secretaria da Mulher do Recife
Por isso, nós ocupamos as ruas para denunciar essa realidade e exigir políticas públicas eficazes. O Estado de Pernambuco é governado por duas mulheres; porém, nunca se matou tantas mulheres como se mata hoje. As casas de acolhimento vivem uma situação de precariedade. Temos Delegacias da Mulher fechadas, sem plantão, e outras cuja construção é prometida há muitos anos, mas nunca se concretiza.

Sou da região do Araripe, onde ficam municípios como Exu, Bodocó, Araripina e Ipubi. Há 12 anos está prevista a construção de uma Delegacia da Mulher naquela região, mas ela nunca saiu do papel. Além disso, muitas delegacias permanecem fechadas nos fins de semana, justamente quando ocorrem grande parte das agressões e dos feminicídios . E a mulher vai procurar ajuda onde?
Quando busca apoio, muitas vezes é desencorajada a registrar a denúncia. Precisamos alertar a sociedade durante todo o ano sobre onde e como as mulheres podem buscar proteção. A Secretaria da Mulher do Recife mantém o Centro Clarice Lispector, em Santo Amaro, além de unidades em Areias e Casa Amarela. Mas essa não pode ser uma realidade restrita à capital. Imaginem a situação das mulheres que vivem em municípios onde não existe nenhum equipamento de proteção.
Karen dizia sempre uma frase muito importante: ‘O feminicídio é o último ato’. Quando ele acontece, significa que existe uma longa história de violência. Antes disso, a mulher já foi humilhada, empurrada, agredida, puxada pelos cabelos, violentada e estuprada. O feminicídio representa o desfecho extremo de um ciclo contínuo de violência.

Cida Pedrosa e Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Metroviários PE
Por isso, essa luta é responsabilidade de toda a sociedade. Enquanto uma mulher morrer simplesmente por ser mulher, não poderemos afirmar que vivemos em uma sociedade verdadeiramente livre», concluiu Cida Pedrosa.
O Estado de pernambuco fechou o ano de 2025 com crescimento no número de feminicídios. Oficialmente, foram 88 vítimas, sendo 15,7% a mais em comparação com 2024.
Valquíria Maria de Lima, 43 anos, foi morta com pancada na cabeça. O feminicío ocurreu em 26 /6 / 2026, no bairro da Soledade, região central do Recife.
Um crime de feminicídio foi registrado na manhã do último domingo, 28 de junho de 2026, na zona rural de Ferreiros, na Mata Norte de Pernambuco. A vítima, Nayane Kelly Ferreira da Silva, de 28 anos, foi morta a golpes de faca em um canavial no Sítio Abreu.
















































































