Gosto muito dessa passagem com os grandes mestres do repente, João Furiba e Pinto do Monteiro. Pinto, como o próprio nome denuncia, da Paraíba. Furiba, de Taquaritinga do Norte, Pernambuco.
Passaram a maior parte da vida intrigados e cantando juntos. As desfeitas e a intriga, eram descontadas nos desafios da viola.
Pinto, reconhecidamente, mais veloz e certeiro nos improvisos, sempre saia na vantagem, o que não aborrecia Furiba em nada, pois a paga era boa e dividida ao meio para os dois.
Mas foi não foi, Furiba dava uma dentro ou o “Cascavel do Repente” cometia um deslize, daí sentia o peso no lombo. Experiente e também muito sagaz, Furiba não deixava passar nenhuma oportunidade.
Qualquer vacilo do genial Pinto, era notado e aproveitado a exaustão. Foi assim que se deu quando Pinto, iniciando uma cantoria, finaliza sua sextilha com essa máxima;
Vou acender minha luz
Pra seguir o meu roteiro.
Furiba fuzila de pronto;
Olhem Pinto do Monteiro
Caindo nos pés da cruz
Eu sou um analfabeto
Mas agradeço a Jesus
Pois digo muita besteira
Mas não digo acender luz.
Daí pra frente Pinto envereda em outros assuntos e Furiba sempre retorna ao tema do erro do companheiro. Eu acendo minha vela, meu candeeiro, minha lâmpada… mas ninguém acende luz!
Bravo, meus poetas!

Na foto histórica, Furiba e Pinto, apresentados pelo também poeta de Monteiro, Jansem Filho

Jorge Filó
















































































